terça-feira, 29 de novembro de 2011

MICHEL THIOLLENT: leitura obrigatória para meus alunos – PARTE 1

Referência
THIOLLENT, Michel. Pesquisa-ação nas organizações. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2009.

Michel Thiollent é autor de várias obras que tratam de métodos de pesquisa, em especial, a pesquisa-ação, tais como “Metodologia da Pesquisa-ação” e “Pesquisa-ação” nas organizações. É doutor em sociologia. Foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da UNICAMP e atualmente é professor da UNIGRANRIO. Conhecido em todo o país, dispensa maiores apresentações.

Como em uma das instituições na qual eu trabalho os alunos produzem trabalhos de conclusão de curso muitas vezes voltados para diagnóstico em organizações, acredito que a leitura do livro “Metodologia da Pesquisa-ação nas organizações” do Thiollent é imprescindível para eles.

Tentarei fazer um breve resumo – ou talvez não tão breve assim – desta obra, pois creio que vai interessar a muita gente.

Como se trata de uma obra de pesquisa em organizações, o autor inicia seu trabalho com um conceito de organização como sendo “qualquer entidade que agregue grupos sociais cujas atividades são estruturadas em processos com objetivos definidos” (THIOLLENT, 2009, p.1).

Entre estas organizações, o autor coloca as empresas que prestam serviços, administrações públicas, centros de pesquisa, organizações não governamentais, entre outras.

Ele destaca que as organizações possuem aspectos formais e informais, que podem ser analisados e, entre os possíveis recortes, estão o aspecto social ou humano e o aspecto tecnológico. (THIOLLENT, 2009, p.2).

Interessante também a distinção que o autor faz entre organização e instituição, para efeitos de análise. Enquanto que a “análise sociológica da organização destaca os aspectos estruturais e funcionais das atividades ou dos grupos”, por outro lado, a “análise da instituição está centrada no contexto histórico, nas relações de poder, formas jurídicas, autoridade, crises de legitimidade”. (THIOLLENT, 2009, p.2).

Thiollent (2009, p.2) define pesquisa-ação como aquela que:

[...] consiste em acoplar pesquisa e ação em um processo no qual os atores implicados participam, junto com os pesquisadores, para chegarem interativamente a elucidar a realidade em que estão inseridos, identificando problemas coletivos, buscando e experimentando soluções em situação real.

O autor frisa que a pesquisa-ação não possui um padrão de como deve ser realizada. No caso de organizações, normalmente o ponto de partida é uma demanda desta, embora “a pesquisa-ação nem sempre é uma resposta a uma demanda explícita” (THIOLLENT, 2009, p.3). Esta demanda às vezes pode ser estimulada a partir de uma equipe de pesquisadores e/ou educadores.

1 A Pesquisa-ação e seus compromissos

            Thiollent (2009) afirma que uma pesquisa-ação requer cultura política “aberta”, pois para este tipo de pesquisa não pode haver dogmatismos e os resultados não podem ser usados para fins particulares, pois este não é o propósito. Os objetivos da pesquisa devem ser objeto de negociação entre os autores que participam da mesma.
            Em relação à pesquisa participante, o autor afirma que toda pesquisa-ação tem este caráter e, portanto, toda pesquisa-ação acaba sendo um tipo de pesquisa participante.
            Quanto à participação, “a pesquisa-ação requer legitimidade dos diferentes atores e convergência de interesses, inclusive nas organizações, ao passo que a pesquisa participante lida com situações de contestação de legitimidade do poder vigente. “ (THIOLLENT, 2009, p.10).
            Para o autor a pesquisa-ação é possível quando existem elementos como: iniciativa de pesquisa por parte do grupo; quando há autonomia dos atores na definição dos objetivos; todos os grupos envolvidos são chamados à participação; quando há liberdade de expressão; os grupos são informados dos resultados; as ações são negociadas.
            Desta forma, “a realização de uma pesquisa-ação é facilitada nas organizações de cultura democrática” (THIOLLENT, 2009, p.12).
            A pesquisa-ação tem um caráter interrogativo-crítica: interrogativo porque o questionamento tem papel de destaque e crítica porque não aceita explicações espontâneas. Por outro lado, ela não aceita soluções prontas.
            Ela tem uma perspectiva crítica e instrumental, visto que desencadeia argumentações e instrumental no sentido de resolver problemas da “razão prática”. O autor lembra, portanto, que “não se pretende resolver conflitos sociais fundamentais que não têm soluções no espaço ou no tempo de uma pesquisa localizada” (THIOLLENT, 2009, p.15). O importante é que se possam encontrar soluções passíveis de serem executadas.
            Thiollent (2009) faz uma crítica às pesquisas que não passam de coleção de dados sem valor algum. Neste sentido, diz o autor que a cientificidade e objetividade pretendida na pesquisa-ação não têm o mesmo caráter que nas pesquisas de cunho positivista. Na pesquisa-ação é importante que “os pesquisadores e os demais participantes cheguem a aceitar como resultados as informações que se revelam mais adequadas tanto do ponto de vista teórico como do prático.“ (THIOLLENT, 2009, p.18). Os problemas devem ser resolvidos sem parcialidade.


7 comentários:

Dicas Educativas disse...

Fico feliz de encontrar um texto-resumo simples mas, que atenda e complemente, ratificando meu interesse por esta metodologia de pesquisa em educação. Agora me sinto mais segura e confiante pela opção que fiz.

Dicas Educativas disse...

Fico extremamente feliz com um texto-resumo simples entretanto, capaz de me auxiliar ratificando minha escolha pela metodologia da pesquisa-ação. Se houver a possibilidade de publicar maior conteúdo sobre este tipo de pesquisa, ficaria ainda mais feliz e grata. Sugestões de como começar um trabalho, o ponto de partida, entre outras. Mais especificamente falando, gostaria de maiores informações sobre a elaboração de uma monografia vinculada a esta Metodologia.
Desde já grata, Marcelle

Eli Lopes da Silva disse...

Olá, Marcelle.
Que bom que tenha gostado.
Do próprio Michel Thiollent tem outro livro intitulado "Metodologia da Pesquisa-ação" que é bem curtinho e excelente.
Outra indicação é o livro "A pesquisa-ação" do autor Rene Barbier.
Um abraço.

Cristiane disse...

Gostei muito do resumo e das informações, pois me auxiliaram na compreensão metodológica dessa pesquisa-ação. Minha orientadora indicou essa metodologia para a pesquisa. Obrigada pela colaboração e suas indicações respondidas à Marcelle.








Gisele Cabello disse...

Boa noite, sou aluna de Psicologia e estou fazendo um trabalho para apresentar em sl de aula sobre o prof. Thiollent, porém não estou encontrando nada relacionado à sua vida e obra. O Sr poderia me indicar algum texto que tenha a relação completa e que fale de sua vida?
Obrigada,
Gisele.

Cíntia Franz disse...

Oi Eli,

também gostei de seu post. Iniciando o mestrado agora, a leitura faz parte da minha primeira disciplina.Seu resumo me ajudou a interpretar melhor leitura realizada. Um abraço!

Cíntia Franz disse...

Oi Eli,

também gostei de seu post. Iniciando o mestrado agora, a leitura faz parte da minha primeira disciplina.Seu resumo me ajudou a interpretar melhor leitura realizada. Um abraço!