sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

3o. Simpósio Hipertextos - Parte 2 - Pierre Lévy - Ciclo do gerenciamento social

O que é o ciclo do gerenciamento social?
Como foi proferido anteriormente, no ciclo de gerenciamento pessoal, você estabelece uma conversa civilizada. Para Lévy, se não for uma conversa civilizada as pessoas não aprendem. Nesta conversação civilizada você está ajudando outras pessoas a aprender e aprendendo com as outras pessoas também.
Enquanto você argumenta do seu ponto de vista, outras pessoas argumentam do ponto de vista delas. Nesta troca, o conhecimento implícito se torna com conhecimento explícito.
As pessoas então colocam este conhecimento explícito em uma memória compartilhada.As pessoas estão trabalhando para compor a memória comum: criando dados, metadados (que são dados sobre dados), plataformas, etc.  Todo mundo está participando da construção desta memória comum.
O conhecimento se torna implícito no corpo, nos hábitos das pessoas. Tudo isto está conspirando para a aprendizagem coletiva, que está criando uma conversação coletiva, civilizada. A regra geral da aprendizagem é que ela é coletiva. Toda aprendizagem é coletiva.
Isto é independente de qualquer plataforma. É um processo coletivo. Mas isto não é tão fácil,  porque nós temos muitas separações que nos impedem de ter uma memória explícita comum. Nós usamos no mundo dados com linguagens diferentes, nós usamos diferentes metadados com semânticas diferentes. É como se numa biblioteca nós tivéssemos 10.000 sistemas diferentes de catalogação e todos incompatíveis. Esta é a bagunça da internet.
Como a gente pode alcançar realmente um gerenciamento do conhecimento social efetivo? Qual seria a plataforma do futuro? Esta é a forma Lévy vê a mídia digital.A internet tornou-se potencialmente a nova mídia.
Nós ainda temos problemas: a inteligência coletiva ainda não é tão eficiente quanto ela possa ser. Para Lévy a mídia digital ainda não foi totalmente alcançada, pois é tudo um processo evolutivo. Isto não deve parar.
Se nós construirmos juntos essa nova camada, a inteligência coletiva será muito mais poderosa do que ela é agora. Eu acho que nesta nova camada os endereços serão chamados de localizadores semânticos uniformes. Na internet o endereçador é a URL. Mas o que é preciso endereçar são os processos.
Parece quase impossível. Mas se nós formos capazes de endereçar de modo preciso um novo conceito que a gente crie e se formos capazes de unir dois conceitos diferentes, ou  a interseção, medir a distância semântica, ou se criarmos um tipo de geometria que descreva constelações, se gerarmos circuitos semânticos, onde possamos injetar uma espécie de corrente semântica, vamos criar uma mente global.
O cérebro global já existe. Isto é uma coisa material. O que não temos é um sistema de símbolos unificados. Vai ser muito mais poderoso do que a linguagem natural. Como uma matemática que descreva operações semânticas, operações da mente.
O objetivo é aumentar essa inteligência coletiva humana pelo uso da mídia digital. Pelo uso cuidadoso e bem pensado da mídia digital.

3o. Simpósio Hipertextos e Tecnologias na Educação - Parte 1 - Pierre Lévy - Ciclo do gerenciamento pessoal

02 de dezembro de 2010 – Recife – Pernambuco (Universidade Federal de Pernambuco).
Após um longo dia de palestras, finalmente chegou o momento auge do 3º. Simpósio Hipertextos e Tecnologias na Educação: a abertura oficial com a palestra do Pierre Lévy. A palestra começou já eram 18 horas, mas valeu a pena esperar. Abaixo transcrevo o que pude entender.
Lévy começou dizendo que todo mundo pode estar conectado: seja no Orkut, no Facebook, nos Wikis, etc. Estamos diante de um enorme fluxo de informação e não temos certeza do que podemos fazer com este mar de informação.
O primeiro objetivo é aprender a ter atitudes responsáveis frente a esse fluxo de informação que nos chega. É uma situação nova porque antes deste estado atual, antes da mídia digital, havia alguém ou algo (escolas, igreja, etc) que gerenciava a informação: criava e enviava para nós e nos dizia - ”essa é a verdade, você pode acreditar nisto”. Assim, nós construíamos nosso conhecimento a partir destas bases.
No passado havia muito menos do que hoje esse problema de responsabilidade de aprender a escolher que informação seria boa para nós. Eu chamo isso – disse o Lévy - de gerenciamento e conhecimento pessoal.
O primeiro passo é atenção ao gerenciamento: você tem que definir seus interesses, definir suas prioridades, você precisa descrever para você mesmo qual a sua área de conhecimento e o que é que você quer aprender.
Isto deve ser feito explicitamente. Se você não sabe o que quer aprender, não vai para lugar nenhum. Uma vez definido, você tem de focar, porque o ambiente é muito distrativo: informações de tudo quanto é lugar.
Você tem de confiar em suas próprias escolhas e manter seu trabalho dentro do que são suas prioridades, focalizado. É claro que você não tem que focar somente: é preciso abrir a cabeça para entender o contexto, entender o movimento do mundo que está em volta de cada um de nós, entender as diversas culturas.
O segundo passo, baseado no primeiro é conexão às fontes valiosas. Lévy afirma que estava falando de fontes e não de plataformas, que são coisas distintas. As fontes são as pessoas, as instituições. Estas fontes podem se expressar onde e em qual plataforma quiserem.
Em quais instituições confiar, cada um deve decidir. Não há nada de fora, nenhuma autoridade maior que diga para você, isso é bom, isso é ruim, isso é falso. Você tem de aprender a sentir, a reconhecer, a perceber o que é relevante ou não para você.
O terceiro passo é juntar todo o fluxo de informação vindo das fontes escolhidas. Note: AS FONTES QUE VOCÊ ESCOLHEU. Aí então você deve filtrar. De certa forma você já filtrou quando fez as escolhas das fontes, mas tem de filtrar novamente. Essa noção de filtragem é muito importante.
O próximo passo é a categorização. Se você não categoriza, você não vai se lembrar dela. A memória está baseada na categorização. E você categoriza não somente para você, mas também para outras pessoas.
O que já foi trabalho de especialistas, como bibliotecários ou outros especialistas em documentação, como categorizar os documentos, agora depende de você. Essa situação é que Lévy chama de inteligência coletiva. Uma vez que você categoriza, você deve gravar novamente a informação.
E então esta informação é publicada novamente nas plataformas para acesso a todos. Você então participa da organização desta grande memória para um enorme grupo de pessoas. E você participa da organização de memória para um grupo que está usando a plataforma assim como você.
Uma vez que você fez este trabalho, você pode sintetizar. Você pode postar em blogs, pode melhorar um artigo da wiki, etc. Isto porque você aprende quando você faz uma síntese para você com suas palavras.
Ao mesmo tempo em que você está fazendo uma síntese para você e disponibilizando em uma plataforma, você está fazendo para outras pessoas também.
Assim você está entrando numa conversa. Uma conversa que Lévy chama de conversa civilizada. Você posta/publica, as pessoas respondem, você responde às pessoas, e assim forma-se um ciclo. Vocês criam um diálogo.
Interessante: aqui na universidade quem dá o feedback é o professor. Mas na mídia quem dá este feedback é o mundo real.
Aí voltamos ao primeiro passo: “ah! Minhas prioridades são relevantes, eu defini os interesses corretamente, escolhi boas fontes, há outras boas também, eu cancelei outras, algumas subscrições que fiz eu modifiquei, eu as defini como processos que eram importantes para seguir em frente”.
Isto é o ciclo do gerenciamento pessoal.
A inteligência coletiva emerge da interação das pessoas, mas da aprendizagem pessoal, pois a base é pessoal. Aí você tem Inteligência Coletiva.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Os dez mandamentos do professor do século XXI

Resgatando alguns materiais que produzi no mestrado em Educação da PUC Minas, me deparei com uma produção que foi resultado do desafio que meu orientador, Simão Pedro P. Marinho, fez aos alunos. Tratava-se de criar os 10 mandamentos do professor do século XXI.
Gostaria de compartilhar com todos a criação que fiz na época.