sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

3o. Simpósio Hipertextos e Tecnologias na Educação - Parte 1 - Pierre Lévy - Ciclo do gerenciamento pessoal

02 de dezembro de 2010 – Recife – Pernambuco (Universidade Federal de Pernambuco).
Após um longo dia de palestras, finalmente chegou o momento auge do 3º. Simpósio Hipertextos e Tecnologias na Educação: a abertura oficial com a palestra do Pierre Lévy. A palestra começou já eram 18 horas, mas valeu a pena esperar. Abaixo transcrevo o que pude entender.
Lévy começou dizendo que todo mundo pode estar conectado: seja no Orkut, no Facebook, nos Wikis, etc. Estamos diante de um enorme fluxo de informação e não temos certeza do que podemos fazer com este mar de informação.
O primeiro objetivo é aprender a ter atitudes responsáveis frente a esse fluxo de informação que nos chega. É uma situação nova porque antes deste estado atual, antes da mídia digital, havia alguém ou algo (escolas, igreja, etc) que gerenciava a informação: criava e enviava para nós e nos dizia - ”essa é a verdade, você pode acreditar nisto”. Assim, nós construíamos nosso conhecimento a partir destas bases.
No passado havia muito menos do que hoje esse problema de responsabilidade de aprender a escolher que informação seria boa para nós. Eu chamo isso – disse o Lévy - de gerenciamento e conhecimento pessoal.
O primeiro passo é atenção ao gerenciamento: você tem que definir seus interesses, definir suas prioridades, você precisa descrever para você mesmo qual a sua área de conhecimento e o que é que você quer aprender.
Isto deve ser feito explicitamente. Se você não sabe o que quer aprender, não vai para lugar nenhum. Uma vez definido, você tem de focar, porque o ambiente é muito distrativo: informações de tudo quanto é lugar.
Você tem de confiar em suas próprias escolhas e manter seu trabalho dentro do que são suas prioridades, focalizado. É claro que você não tem que focar somente: é preciso abrir a cabeça para entender o contexto, entender o movimento do mundo que está em volta de cada um de nós, entender as diversas culturas.
O segundo passo, baseado no primeiro é conexão às fontes valiosas. Lévy afirma que estava falando de fontes e não de plataformas, que são coisas distintas. As fontes são as pessoas, as instituições. Estas fontes podem se expressar onde e em qual plataforma quiserem.
Em quais instituições confiar, cada um deve decidir. Não há nada de fora, nenhuma autoridade maior que diga para você, isso é bom, isso é ruim, isso é falso. Você tem de aprender a sentir, a reconhecer, a perceber o que é relevante ou não para você.
O terceiro passo é juntar todo o fluxo de informação vindo das fontes escolhidas. Note: AS FONTES QUE VOCÊ ESCOLHEU. Aí então você deve filtrar. De certa forma você já filtrou quando fez as escolhas das fontes, mas tem de filtrar novamente. Essa noção de filtragem é muito importante.
O próximo passo é a categorização. Se você não categoriza, você não vai se lembrar dela. A memória está baseada na categorização. E você categoriza não somente para você, mas também para outras pessoas.
O que já foi trabalho de especialistas, como bibliotecários ou outros especialistas em documentação, como categorizar os documentos, agora depende de você. Essa situação é que Lévy chama de inteligência coletiva. Uma vez que você categoriza, você deve gravar novamente a informação.
E então esta informação é publicada novamente nas plataformas para acesso a todos. Você então participa da organização desta grande memória para um enorme grupo de pessoas. E você participa da organização de memória para um grupo que está usando a plataforma assim como você.
Uma vez que você fez este trabalho, você pode sintetizar. Você pode postar em blogs, pode melhorar um artigo da wiki, etc. Isto porque você aprende quando você faz uma síntese para você com suas palavras.
Ao mesmo tempo em que você está fazendo uma síntese para você e disponibilizando em uma plataforma, você está fazendo para outras pessoas também.
Assim você está entrando numa conversa. Uma conversa que Lévy chama de conversa civilizada. Você posta/publica, as pessoas respondem, você responde às pessoas, e assim forma-se um ciclo. Vocês criam um diálogo.
Interessante: aqui na universidade quem dá o feedback é o professor. Mas na mídia quem dá este feedback é o mundo real.
Aí voltamos ao primeiro passo: “ah! Minhas prioridades são relevantes, eu defini os interesses corretamente, escolhi boas fontes, há outras boas também, eu cancelei outras, algumas subscrições que fiz eu modifiquei, eu as defini como processos que eram importantes para seguir em frente”.
Isto é o ciclo do gerenciamento pessoal.
A inteligência coletiva emerge da interação das pessoas, mas da aprendizagem pessoal, pois a base é pessoal. Aí você tem Inteligência Coletiva.

Um comentário:

Patrícia disse...

Eli,
Esclarecedores os posts. Faz-me lembrar do Inconsciente Coletivo, termo usado por Yung, amigo e depois desafeto de Freud. Tudo acontece junto e ao mesmo tempo e a tecnologia, por meio da internet, vem nos mostrar isso de modo claro, rápido. O negócio é juntar tudo isso e compreender. Coisa para estudiosos no assunto como você e seus alunos. Parabéns pelo post. Assistir a uma palestra de Piere Levy deve ter contribuido ainda mais para o seu trabalho!
Um abraço,
Patrícia