quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A sala dos professores não é mais a mesma: a tecnologia que conecta, também separa.

Outro dia eu almocei em um restaurante do tipo self service e fiquei aproximadamente uns 40 minutos dentro do mesmo. Durante todo o tempo, percebi que um rapaz que estava com uma companhia - acredito que se tratava de namorada ou esposa - ficou todo o tempo falando em seu celular. Saí de lá impressionado com a cena, visto que era um sábado e imaginei que aquele rapaz levara sua namorada ou esposa para um almoço, mas ele mesmo não fez companhia a ela.

No mesmo sábado, à noite, fui ao cinema e vi uma cena parecida. Entrei na sala de cinema uns 10 a 15 minutos antes do filme começar. Um adolescente que estava com sua namorada ficou o tempo todo, enquanto esperava o início, teclando no seu aparelho eletrônico. Quando o filme começou, ele deu um beijinho na namorada e ambos foram ver o filme.

A tecnologia, que permite a conexão, também tem servido para separar as pessoas. Elas nunca estiveram juntas e ao mesmo tempo distantes, já que virou regra "cada um no seu aparelho".

Tenho frequentado algumas salas de professores que não são diferentes. Antigamente a gente curtia a sala dos professores, batia papo com os colegas, se divertia e até mesmo falava sobre como trabalhar nossos conteúdos e integrar as disciplinas. Entretanto, cada vez mais vejo uma grande parte de professores que chegam na escola e ficam na sala dos professores solitários com seus aparelhos eletrônicos: celulares, tablets, ipad, iphone, entre outros.

Cheguei a presenciar uma cena incrível: estávamos eu e mais quatro professores em uma sala, esperando o início das aulas. Todos eles estavam ocupadíssimos em seus aparelhos eletrônicos. Procurei nem conversar para não atrapalhar.

É isto que tem acontecido, na salas dos professores e em outros ambientes: as pessoas estão o tempo todo teclando com colegas, mas quando estão com estes colegas com os quais estavam teclando, passam a teclar com outras.

Nunca estivemos tão conectados a outras pessoas e ao mesmo tempo separados.

Um comentário:

Patricia disse...

Caro Eli,
Você observou algo que está acontecendo incessantemente.
Como aprofundar laços se há um megabite no meio?
Hoje li a seguinte frase de Lygia Fagundes Telles: " Se no Brasil houvesse mais livrarias haveria menos farmácias." Ou seja: Se no Mundo houvesse menos tecnologia, talvez fôssemos mais humanos. bjs. :-)