terça-feira, 17 de abril de 2012

Fragmentos

Eli Lopes da Silva 

FRAGMENTO 1: Censurar?
O que os programas “Ultimate Fighter Brasil – em busca de campeões” e “Big Brother Brasil”, ambos veiculados pela Rede Globo de Televisão comungam? Resposta rapidinha: a censura, ou a falta dela. Enquanto no primeiro, que vai ao ar por volta de meia-noite, palavras como “porrada” são censuradas, pois a emissora coloca um sinal sonoro de “piiiiiii” quando a mesma é pronunciada. O outro, que vai ao ar por volta de 10 da noite, apresenta cenas de sexo sob o edredom. Hipocrisia da rede de TV que transmite os dois programas? Talvez. Qual moralidade está por trás da censura de uma palavra enquanto gestos tão obscenos são apresentados e incentivados? Fato é que a promiscuidade do programa BBB, bem como das telenovelas é que dá audiência.
Usando uma reflexão de Williams (2011, p.146), se o “que mais temos hoje é um setor imenso de arte patrocinada pelo capitalismo, mostrada nas rotinas polidas do crime, da fraude, da intriga, da traição e de uma degradação exuberante da sexualidade” (grifo nosso), a “PiiiiiiTARIA” que é apresentada nas telenovelas e no Big Brother Brasil tem mesmo de ser compensada pelo “Piiii” no outro programa, para, quem sabe, dar uma falsa impressão de respeito ao público.
É mesmo “o rabo que abana o cachorro” (WILLIAMS, 2011, p.138), pois toda a produção é estimada em função do volume de público e não pela qualidade das mesmas, já que “tudo se resumo a dinheiro” (WILLIAMS, 2011, p.136).

FRAGMENTO 2: O atirador da Noruega
            Impossível fechar os olhos ao julgamento de Anders Behring Breivik que matou 77 pessoas na em Oslo, na Noruega, em 22 de julho de 2011. Ele foi a júri ontem, dia 16/04/2012. Entre as várias coisas que impressionam no fato, duas merecem destaque: a primeira é o fato de que ele alega legítima defesa, a segunda, sua afirmação que “"Eu não reconheço as Cortes norueguesas porque vocês recebem seu mandato dos partidos políticos da Noruega que apoiam o multiculturalismo" (ATIRADOR, 2012).



FRAGMENTO 3: A escola e o tempo
            Vale a pena ver o vídeo do professor Jhony Yamada que apresenta alguns avanços da tecnologia e faz um paralelo destes com a estrutura física da escola. Ou ele quis ir além da estrutura física?  
FRAGMENTO 4: Provocações: teremos de morrer para resolver as coisas?
            A TV CULTURA possui uma série intitulada Provocações. No programa 49, poema 2 o apresentador mostra uma manchete de jornal sobre uma declaração da Cia. Americana de Cigarros Philip Morris sobre as mortes causadas por câncer. Segundo a empresa, a morte por câncer representa lucro para os governos, pois evita gasto com saúde e ainda representa menos pagamento de aposentadorias. A primeira provocação que o apresentador faz é: Será que teremos de morrer para resolver as coisas? Outra provocação, segundo o apresentador, foi a impressa ter dado tão pouca repercussão ao fato.

FRAGMENTO 5: A opinião pública não existe
            As pesquisas que se dizem de opinião pública, em boa parte das vezes, “estabilizam o escopo de escolhas e se tornam formas persuasivas de informação aparente” (WILLIAMS, 2011, p.153). O autor argumenta que tecnicamente é possível elaborar pesquisas com procedimentos mais adequados, pois o modo de pesquisa “por entrevista ou botão, dispõe de sua agenda de questões na crença em uma competência para respondê-las de acordo com os termos selecionados” (WILLIAMS, 2011, p.153).
            Bourdieu (1982, p.151) afirma que a opinião pública não existe, pelo menos no que diz respeito ao “sentido da definição social implicitamente admitida pelos que fazem sondagens de opinião ou pelos que utilizam os resultados das sondagens de opinião”. Ela não existe na forma que alguns grupos têm interesse em afirmar.
ONDE ENCONTRAR OS MATERIAIS CITADOS

ATIRADOR que matou 77 na Noruega admite crime e alega legítima defesa. [2012]. Portal de notícias G1.com.br. Disponível em: <http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/04/atirador-da-noruega-admite-massacre-e-alega-autodefesa.html>. Acesso em: 17 abr. 2012.

BOURDIEU, Pierre. A opinião pública não existe. In: THIOLLENT, Michel J.M. Crítica metodológica, investigação social e enquete operária. 3.ed. São Paulo: Polis, 1982. p.137-151.

WILLIAMS, Raymond. Política do modernismo: contra os novos reformistas. São Paulo: Editora Unesp, 2011.

O programa 49, poema 2 está disponível no Youtube, no endereço:

O vídeo de Jhony Yamada também está no Youtube:


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