segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Professor, não seja hipócrita: você também "copiou e colou".



Vivemos uma época em que a chamada "sociedade do conhecimento", "sociedade pós-moderna", ou mesmo "era digital", em função das facilidades que a tecnologia computacional permite, traz uma questão séria: A cópia de material da internet, que faz muito professor dizer:



  • Meu aluno copiou da internet, não posso aceitar o trabalho dele.

E alguns complementam:

  • Se ele pelo menos tivesse escrito o trabalho, eu receberia.

Eu sou da época em que minhas pesquisas eram realizadas na enciclopédia Barsa ou na Mirador. Eu copiava o texto na íntegra, entregava em folha de papel almaço e tirava um dez.

Não era essa uma forma de "copiar e colar"?

A questão que quero colocar é: tem muito professor dizendo por aí que se o aluno escreve o trabalho à mão, significa que ele pelo menos leu o que copiou. E quem disse que fazer cópia à mão garante o aprendizado?

O grande problema que vejo é que nossos alunos muitas vezes estão utilizando a tecnologia melhor do que nós, professores. Mas é claro que não é esse o caso. Copiar textos na internet e colar no trabalho, é plágio, sabemos muito bem disse.

O que fazer então?

Muitos professores não sabem que é muito mais fácil verificar se um trabalho é uma cópia de textos da internet do que se é cópia de livros ou enciclopédias, pois basta pesquisar os textos entregues pelos alunos, ou parte desses textos, em sites de busca e pronto: está lá a cola. Fácil fácil para o professor anotar a URL (caminho da página na internet) e dizer ao aluno que foi uma cola.

Portanto, o que é mais grave de aceitar hoje em dia, é o fato de que os professores não aprenderem ainda a mostrar ao aluno como fazer uma pesquisa, seja com ou sem o auxílio da internet.

Abraços a todos os colegas professores.

(ELI LOPES)



3 comentários:

Debora disse...

Eli,
Achei seu texto muito bom. Tb sou da época da Barsa e do papel almaço. Concordo contigo sobre o pesquisar. Vejo a pesquisa como fonte de saber e porta de entrada para a produção de novos conhecimentos.Mas a pesquisa nos bancos brasileiros é vista como um fim em si mesma e não o início da produção de um novo conhecimento.
Um abraço, amigo.
P.S. Amei seu blog.

Nádia Fátima disse...

Caro Eli,
Seu texto, muito coerente, encontra respaldo no que Marcos Maseto apregoa em suas obras de cunho didático ("O professor em sala de aula" é uma delas).
Qual o sentido de manuscrever quando posso copiar sem prestar atenção no que copio? As falhas ortográficas da cópia que o digam!

Blog da Patrícia disse...

Eli,
li seu texto sobre "copiar e colar". Creio que a questão seja bem mais ampla...o professor, principalmente o de português, avalia o modo como o aluno "copia", retorna o texto com os apontamentos e faz com que o aluno leia e veja o que escreveu e reescreva. Entendo o que você diz sobre o fato da pesquisa ser um fim em si mesma. Senti falta em seu texto de explicar "o como" transformar a pesquisa em ponto de partida e não em ponto de chegada. Gostaria, por gentileza, que você aprofundasse o tema numa próxima oportunidade, pois o assunto muito me interessa.
Um abraço carinhoso,
Patrícia